Interioridade, falta de condições e equipas profissionais são factores de atraso
O baixo número de equipas a representar a região transmontana no Campeonato Nacional de Iniciados não deixa de ser alarmante numa competição com 72 equipas, divididas em seis séries, de Norte a Sul do País. O Grupo Desportivo de Chaves (GDC), a Associação Desportiva Flaviense(ADF) e a Associação Desportiva e Cultural Escola Diogo Cão (ADCEDC) já iniciaram os trabalhos de pré-época e o Mensageiro foi saber, junto dos treinadores, o que se pode esperar para esta época. A série A do Campeonato de Iniciados terá este ano um atractivo especial. Duas das 12 equipas estão sediadas na cidade de Chaves. O GDC mantém-se no escalão nacional há três anos consecutivos e a ADF garantiu no ano anterior a subida, depois de vencer o campeonato distrital da Associação de Futebol de Vila Real (AFVR). Rui Mota comanda a equipa do Grupo Desportivo há seis épocas consecutivas e pretende manter o feito das épocas anteriores. “Temos tido a equipa A no nacional e a equipa B a participar nos campeonatos distritais. É muito importante porque é esta a base para encarar o nacional do ano seguinte, o que tem acontecido desde que subimos pela última vez aos nacionais.” A dirigir a equipa vizinha da ADF está Rui Barreira que procura, tal como os seus jogadores, a primeira experiência nos campeonatos nacionais de futebol. “Será complicado, mas vai ser muito bom para todos. Temos vontade de trabalhar, motivação para aprender e lutaremos sempre pela manutenção. Estamos a falar de formação e, por isso, não descartando a possibilidade de nos mantermos no nacional, vamos preocuparmos em formar os jovens, que é o mais importante.” Em comum aos dois chefes de equipa está a juventude, pois ambos pertencem a uma nova “fornada” de jovens treinadores que estão a revolucionar os métodos e a mentalidade na formação das equipas da AFVR. “Primeiro havia uma certa desconfiança em relação aos jovens formados, mas mostrámos que temos valor e agora somos muitos a trabalhar em diversos escalões. A especialidade de futebol no curso de deporto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), pelo professor Victor Maças, trouxe evolução ao nosso futebol”, afirmou Rui Mota, licenciado há dez anos por aquela instituição de ensino superior. Inevitavelmente, os dois treinadores pronunciaram-se unanimemente sobre a presença de duas equipas flavienses na mesma série e no mesmo campeonato nacional. “Pela primeira vez, há duas equipas da cidade nos nacionais de iniciados. Por um lado, é complicado, mas o mais importante é que os miúdos têm mais hipóteses de jogar nos nacionais. Seria muito bom que ambas as equipas continuassem nos nacionais, pois a cidade e os jovens sairão a ganhar”, afirmou o técnico da ADF. Para o treinador do Grupo Desportivo, esta é a “prova” de que o futebol da região flaviense é de qualidade. “Esta situação vai fazer com que uma das duas equipas esteja num patamar inferior, porque acabamos por dividir os recursos humanos disponíveis. Mas o mais importante é que isto revela que temos um futebol e uma formação de muita qualidade.”
Fava sai à Diogo Cão
Em Vila Real, mora a outra equipa que disputará os nacionais do escalão de iniciados pela terceira época consecutiva. Sem espaço para encaixar na série mais acessível, série A, resta aos jovens da Diogo Cão disputar a B com equipas como o FC Porto, Boavista, Leixões e Penafiel. “No primeiro ano estivemos na série A, agora estamos na série B e por um lado é positivo, porque é sempre mais motivante, mais rica em termos competitivos e com clubes grandes”, assegura Licínio Pereira, treinador da ADCEDC. Com tarefa complicada, mas “motivante”, o técnico vila-realense pretende igualar as classificações das últimas temporadas. “É sempre mais difícil, entre estes doze, escolher os três que descem, mas temo-nos saído bem e estamos a trabalhar para tentar manter as posições dos últimos anos, que têm sido acima do meio da tabela.” Há largas épocas como treinador na equipa da Diogo Cão, Licínio Pereira já se habituou à casa e à função de todos os anos repetir as mesmas tarefas. “Todos os anos ficam elementos da época anterior, mas é um trabalho que se repete ano após ano. Temos sempre de trabalhar os miúdos e prepará-los para algo que não conhecem muito bem, que são os campeonatos nacionais.”
Começo “precipitado”
Um outro aspecto deste Campeonato Nacional de Juniores C que, para os treinadores, merecia “mais atenção”, é o facto do início estar agendado para 14 de Setembro. Assim, as equipas que não disputam a última fase da prova, designada por “Apuramento de Campeão”, terminam a época a 8 de Março, obrigando as formações a uma inactividade competitiva durante largos meses. “Os clubes são obrigados a começar no princípio de Agosto, um mês em que as pessoas da nossa região vão de férias, o que não permite ter os miúdos a começar todos ao mesmo tempo. Era preferível começar somente em Outubro e terminar mais tarde para os miúdos ficarem menos tempo sem jogar”, defendeu Licínio Pereira.
Formação está a evoluir, mas devagar
Confrontados os três treinadores com a presença diminuta de equipas da região neste Campeonato Nacional, as opiniões dividem-se. A interioridade, as condições dos clubes e a falta de equipas seniores profissionais são apontadas como causas, mas todos concordam que “estamos a evoluir”. “As condições dos clubes e a maior população no Minho e Litoral fazem com que se acentuem as diferenças. Com as equipas a serem todas dessas zonas do País torna-se muito dispendioso, porque jogamos às 11h e temos de dar almoço aos jovens, além das viagens”, apontou o treinador da ADF, Rui Barreira. Já o treinador do GDC, Rui Mota, prefere realçar que “três equipas” é sinónimo de que há evolução. “Nos últimos anos, temos tido várias equipas nos nacionais, mas o que acontecia aqui há uns anos é que tínhamos uma e era em sobe e desce constante. Actualmente, a realidade é que estamos a ter mais equipas e durante mais tempo no nacional, logo há evolução.” Se na cidade flaviense ainda há uma equipa profissional, o Grupo Desportivo de Chaves, em Vila Real, a realidade está longe de ser idêntica. Este é um dos factores para a “pouca motivação do jovens” apontado por Licínio Pereira, bem como a falta de condições dos campos. “Na época passada, só as equipas de Vila Real tinham campos pelados. É frustrante treinar em pelado e jogar todo o ano em relvados”, explicou o treinador da Diogo Cão.
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